Por Paulo Guedes

Nastya vai casar e quando viaja com seu futuro marido para a casa de família dele, descobre que sua presença faz parte de um ritual maligno. Rodeada por familiares e pessoas estranhas, ela passa a ter visões horríveis à medida que é preparada uma tradicional cerimônia de casamento eslava.

O filme do diretor russo Svyatoslav Podgayevskiy começa tenso, mas desanda depois dos 15 minutos, parecendo ser outro filme e se utilizando da estética européia para criar um clima de terror orgânico e tenso, em que nem utiliza tantos efeitos, mas o fato de a película ter sustos tão apelativos, faz com que o filme se perca no meio do caminho, assim como a protagonista Viktoriya Glukhikh (Nastya) no meio de tantos atores ruins. Além da atuação dela ser consistente, o personagem também mostra que, mesmo sendo uma “garota da cidade” se aventura e vai atrás da sua fuga. Mostrando que tem tênis caros mas os utiliza. Tênis caros, mas sujos. Uma protagonista que não tem medo, apesar de tudo apontar para isto.

O fato de eu estar julgando tão mal essas atuações deve-se também ao fato de que o filme é DUBLADO, isso mesmo dublado! É praticamente impossível julgar a atuação de um ator em um filme dublado, uma vez que você não escuta a voz daquela pessoa. E o filme é russo, dublado em inglês. Vai entender gente.

Uma das únicas coisas boas do filme é a fotografia e também o clima criado, utilizando de elementos como vento e chuva, deixando tudo mais orgânico e real.

Pra quem acompanha o que sai de terror na mídia, com certeza sentiu uma conexão muito forte com a sexta temporada de American Horror Story: My Roanoke Nightmare, que traz maravilhosamente bem estes elementos de floresta, de casa assombrada, de famílias bizarras. Ou seja, uma bruxa de blair deste século. O problema de A noiva é que o diretor misturou tudo (inclusive outra língua) com fórmulas antigas de terror. A única resposta plausível para gastar dinheiro com um filme desses é se ele fosse a metáfora de uma casamento: desconfiança, medo, raiva, o sentimento de ser enterrado vivo dentro de um caixão e abertura para outro mundo.

Não tenho ideia de tamanho do orçamento do filme, mas sinto dizer que foi muito por nada: “A noiva” é um pesadelo de tão ruim.

Share.

About Author

Arte em fragmentos sendo registrado pelo jornalismo independente. Reunião de ideias bagunçadas de estudantes de jornalismo.

Leave A Reply