Após quatro anos da sua ultima obra (Interestelar), Christopher Nolan, retorna em grande estilo, com o lançamento de seu épico de guerra Dunkirk.

O filme é baseado na história do resgate de 400.000 soldados britânicos e seus aliados em um porto da região de Dunkirk, no meio de tempestuosos ataques dos alemães.

Logo no início é possível sentir o clima tenso que assombra o filme. O espírito de sobrevivência a todo custo é uma ligação perfeita, pois a história é contada em três perspectivas, há os soldados na terra, em busca de retirada a todo custo e os civis no mar, convocados para resgatar os soldados no porto e o ar, com a força área britânica em intensos ataques contra as investidas áreas alemãs.

Nolan, nos imerge em três histórias que se interligam de uma maneira maestral. São pontos que se recriam em tela, em tom de heroísmo, desespero, medo, com um conjunto de atuações brilhante, grandes destaques foram Mark Rylance (Mr. Dawson), Tom Hardy ( Farrier) e o jovem FionnWhitehead (Tommy), todos deslumbram um poder total sobre o roteiro, principalmente Tom Hardy, que faz um papel semelhante de atuação quando interpreta  Bane, em Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012), do mesmo diretor, no qual é mostrado apenas seus olhos, e ele entrega um personagem que através do olhar, nos remete em um sentimento de heroísmo em meio a ruínas.

O poder de Dunkirk é ter vários personagens e nenhum deles ser o protagonista, cada um esta traçando a sua trajetória de fuga, lutando pela vida, sua filmagem remete no mesmo estilo que foi usado por Terrence Malick em Além das Linhas Vermelhas, um filme mais poético. Porém Nolan, absorve isso e mostra um filme filosófico, complexo e poético em medidas mais leves, o soldados que ao longo do filme vão se situando. Temos Harry Styles, em sua estreia no cinema que entrega um papel que quando foi imposto, se mostrou forte em cena, seu personagem Tommy, tem um poder de persuasão, mas ao mesmo tempo as marcas da guerra já são visíveis em seu personagem.

Temos no mar, o grande acerto do filme, os civis, indo resgatar os soldados, em meio a um extermínio, é um dos momentos mais fortes do filme, a crueldade da guerra ao olhar de jovens, tanto soldados quanto civis.

E no ar, o clímax do filme, as batalhas são de extrema realidade, juntando o IMAX de extrema qualidade, nos levam para dentro do avião, sentimos o poder da cena, um trabalho fotográfico de extrema qualidade, é o arco mais imersivo do filme.

Na trilha sonora o Mestre Hans Zimmer assina novamente, e em uma das suas melhores performances da carreira, a trilha sempre em um tom mais agitado, ansioso, anda lado a lado com a câmera mais nervosa do filme, o ritmo acelerado a todo custo, o pulsar do filme está nesta trilha.

Enfim, depois de alguns anos, Nolan nos surpreende mais uma vez e nos entrega um filme visual, abrangente, nervoso, com um roteiro complexo e filosófico. É um filme que dialoga com o público de uma maneira forte, através da trilha e dos planos mais longos. É uma obra prima do gênero, e um retrato diferenciado do ser humano se arruinando em uma guerra, a visão da guerra de pessoas que somente querem voltar para suas casas.

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