Por Juliano de Pizzol

O monótono retrato do drama familiar da classe média americana.

Greta Gerwig, conhecida pelo papel principal no filme Frances Ha escreve e dirige esta comédia dramática que nos apresenta a vida da adolescente Lady Bird.
Sim, este é o nome dela e não, seus pais não eram hippies, ela mesma se deu esta alcunha, sendo uma garota com forte inclinação artística passando por um momento crucial em sua vida; a escolha pela melhor faculdade que ela possa vir a freqüentar.

A história do filme transcorre entre os anos de 2002 e 2003, com a sombra do terrorismo do 9 de setembro ainda pairando no ar, em um período de crise financeira e estouro da bolha imobiliária em que inúmeras famílias de classe média se viram obrigadas a apertar o cinto.
Bird vive com a sua família na pacata Sacramento, cidade pela qual a garota nutri total desprezo e por esta razão almeja estudar em Nova York, na Costa Leste.



De início Bird aparenta ser uma garota excêntrica com tendência artística, mas no decorrer da trama fica evidente que ela não passa de uma adolescente incoerente que provoca sentimento algum no espectador além de irritação.

Irritação esta que vem á tona na tela através da boa atuação de Laurie Metcalf ao interpretar a forte mãe de Bird. Por sinal, a mãe que seria a “vilã” da trama, pelo menos do ponto de vista da filha, acaba se mostrando a verdadeira heroína, demonstrando pulso firme ao lidar com as adversidades enfrentadas pela família de Bird, inclusive assumindo o papel que seria do pai, que por sofrer de depressão se torna absolutamente passivo ao sinal de qualquer desavença familiar. Apesar do pulso firme os pais de Bird possuem um enorme coração, o que faz com que você acabe criando antipatia pela personagem principal, que a todo instante faz apenas o que lhe dá na telha, sem se importar com familiares e amigos próximos, para só mais adiante se arrepender e redimir seus erros.

No fim das contas Lady Bird é apenas um filme monótono que ilustra o cotidiano de uma adolescente em revolução hormonal e que “sofre” de amor excessivo de sua família , não nos apresentando novidades técnicas ou entretenimento per se, sendo apenas um retrato fiel do drama familiar de metade da população mundial.

Lady Bird – A Hora de Voar

de Greta Gerwig

Comédia/Drama, EUA, 94 min, livre.

Estréia: 15/02/018

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